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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Jonas, que terá 25 anos no ano 2000

NESTA SEXTA, 30 DE NOVEMBRO, SESSÃO ESPECIAL NO CINECLUBE BAIXA AUGUSTA

Jonas Qui Aura 25 Ans en l'an 2000 - França - 1976
Direção: Alain Tanner
Elenco: Jean-Luc Bideau, Rufus, Miou-Miou, Jacques Denis, Dominique Labourier.


SINOPSE 1
Há oito personagens principais em Jonas, todos na casa dos vinte ou trinta anos, e todos buscando soluções para os problemas trazidos para a consciência geral pelos eventos de 1968. Nenhum deles é um burguês confortável, eles são o tipo de fantasistas e obsessivos que eram considerados marginais antes de 1968 ... Cada um dos oito personagens é uma utopia de algum tipo, exceto para o antigo ativista desiludido, Max...
(http://artecinemafilme.blogspot.com.br/2010/05/dvd-jonas-que-tera-25-anos-no-ano-2000.html)

*     *     *
SINOPSE 2
O filme segue a vida de um grupo de 8 pessoas, na sequência da agitação social e política de maio de 1968 na França, incluindo um professor de história, um sindicalista e um boêmio.

Importância Histórica: O diretor Alain Tanner é um dos fundadores do “Groupe Cinque”, que reuniu jovens cineastas suíços no início dos anos 60, influenciados pela NOUVELLE VAGUE. Realizador de vários filmes consagrados pela crítica, em 1976 ele realizou “Jonas” revelando a expectativa de uma geração desiludida com o seu passado e que não sabia o que esperar de um novo século que se aproximava. Política, questionamentos e muitas dúvidas são os elementos básicos dos oito personagens deste filme que foi exibido em Belém no final dos anos 70 e foi eleito um dos melhores do ano que foi exibido.
(http://www.belemweb.com.br/impressao_conteudo.asp?id=14194&pagina=28)


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O IIusionista

9 de novembro, 19,30 horas

“L’Illusionniste” é o novo filme de animação do conceituado realizador francês Sylvain Chomet, que ganhou fama e prestigio com “Les triplettes de Belleville” (2003). “O Mágico” é uma homenagem às antigas formas de entretenimento, os ilusionistas, os ventríloquos, trapezistas e palhaços, mas é mais do que isso, é uma homenagem ao cinema mudo e ao mestre Jacques Tati.

Baseado num argumento originalmente escrito por Tati, em 1956, em dedicação a uma filha ilegítima que teve e que nunca chegou a ser realizado. Sylvain Chomet adapta esta história para a animação, pois de outra maneira não seria possível realizar este argumento. A história é passada na década de 50 numa altura em que a cultura pop começa a substituir as outras formas de entretenimento. Tatischeff (nome de nascença de Tati) é um ilusionista que percorre o mundo realizando espetáculos de magia em várias salas de teatro e Music Halls. A sua carreira está em vias de extinção, pois o mundo está em constante evolução e o público esquece-se desta arte, que é a magia. Tatischeff vê-se obrigado a apresentar o seu espetáculo num “pub”, na costa ocidental escocesa. Aí conhece Alice, uma jovem rapariga muito inocente, que fica imediatamente encantada com o mágico. A rapariga segue-o e passa a viver com ele como se fosse sua filha. A partir daqui, a vida de Tatischeff mudará para sempre.

A personagem Alice é de uma rapariga inocente que acredita na magia de Tatischeff. Ingenuamente, Alice pensa que pode ter tudo na vida com um simples truque de magia. Mas, infelizmente não é assim e ela acaba por perceber isso. Um palhaço abatido prestes a suicidar-se, um ventríloquo que vende o seu boneco e um trio de trapezistas que se “vendem” ao mundo da publicidade, são a imagem de um mundo em mudança que representam as velhas artes caídas no esquecimento.

A narrativa parece muito simples, mas pelo contrário é bastante complexa. É uma história com muitas características biográficas de Tati, o que faz com que este esteja sempre presente em todo o filme, em espírito, claro está. A própria personagem do ilusionista é a figura de Tati, a maneira como anda, como reage aos imprevistos, todos os tiques de Tati estão lá. E para que não restem dúvidas, o realizador Chomet oferece-nos uma bela surpresa, com a cena em que o ilusionista entra num cinema e depara-se com um filme de imagem real, protagonizado pelo próprio Tati (o filme “O Meu Tio”). O público sai da sala com a sensação de ter visto um novo filme de Jacques Tati, porque de facto, durante os oitenta minutos de duração do filme, Tati esteve sempre presente. E não é por acaso que foi Chomet a realizar este argumento, pois Chomet é um descendente de Tati, como se viu no primeiro filme “Les triplettes de Belleville”. O estilo de Chomet é um estilo muito pausado, com diálogos quase inexistentes, dando valor ás imagens e à ação, com muita mímica. Como se pode ver, quem conhece os filmes de Jacques Tati, sabe que tem o mesmo estilo de um cinema mudo.

O ilusionista é um filme que impressiona e fascina pelo seu visual. O desenho de Chomet é magnifico, com um traço clássico do desenho á mão. A nível técnico, Chomet, conseguiu misturar muito bem o digital com o desenho à mão. Todo o brilho, as cores e as belas paisagens, remetem-nos para aquela época. A banda sonora composta por Chomet é belíssima.

Chomet criou um filme mágico e dramático. É um filme que nos faz rir e chorar, com um final surpreendente. “O Ilusionista” é a prova de que o cinema de animação tradicional ainda está vivo e que não precisa do 3D para nada. Um dos melhores filmes do ano e um dos melhores filmes de animação de sempre. Um filme genial, adulto, subtil e belíssimo!