Hoje, nossa primeira sessão surpresa! Traga seu DVD de um
filme que você considera incrível, espetacular, extraordinário e corra o risco
de vê-lo aprovado para todo mundo assistir e, eventualmente, elogiar seu
extremo bom gosto em termos de sétima arte e otras cositas más.
Até o presente momento, ninguém se dispôs a revelar o que
pretende apresentar como candidato à exibição na sessão de hoje, o que
demonstra o espírito disciplinado dos rodamundos que aportam no cineclube Baixa
Augusta de tempos em tempos com o propósito de assistir, discutir e às vezes se
engalfinhar em defesa de diretores, atores, roteiristas, fotógrafos, sonoplastas
etc., na esperança de que o cinema do mundo não se afunde na lama do fast food e do hambúrguer cultural.
Retomamos nossas atividades neste dia 15 de fevereiro, com o filme
O céu sobre os ombros www.oceusobreosombros.com
O filme conta a história de três pessoas anônimas,
comuns. São histórias inventadas pela vida, pelos personagens, pelo filme, de
pessoas que vivem num contexto entre o cotidiano, o exótico e a marginalidade.
O filme é um gesto para revelar o quanto somos todos tão humanos, e quão
semelhantes são nossos medos e desejos.
A narrativa acompanha alguns dias da vida de três
personagens: Everlyn é uma transexual que fez mestrado sobre os diários de um
hermafrodita do século XIX e vive entre a prostituição e os cursos de
sexualidade que ministra como professora. Murari é um devoto da religião Hare
Krishna e do time de futebol do Atlético Mineiro, líder de torcida organizada.
Lwei é africano descendente de portugueses e escreve vários livros ao mesmo
tempo, sem nunca ter chegado à conclusão de nenhum. Nunca trabalhou.
Apesar de não se conhecerem, vivem na mesma cidade, se
relacionam com a escrita, tem cerca de 30 anos e famílias distantes. Eles não
se encontram no filme, mas constantemente seus desejos e seus medos se cruzam,
se interpenetram e criam uma rede de perguntas e respostas, de posicionamentos
distintos e afins.
FICHA TÉCNICA
O Céu Sobre os Ombros
71min | 35mm | cor | 2010
Direção: Sérgio Borges
Elenco: Everlyn Barbin, Edjucu Moio, Murari Krishna e Grace Passô
Produzido por: Helvécio Marins Jr., Sérgio Borges , Luana Melgaço e Felipe Duarte
Produtora Associada: Primo Filmes
Produção Executiva: Luana Melgaço
Direção: Sérgio Borges
Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Montagem: Ricardo Pretti
Roteiro: Manuela Dias e Sérgio Borges
Parceria Artística: Clarissa Campolina
Pesquisa de personagens: Izadora Fernandes
Direção de Produção: Mariana Freitas
Som direto: Bruno Vasconcelos
Edição de som: Gustavo Fioravante
Mixagem de som: Ronaldo Gino
Assistente de direção: Aline X
Finalização de Imagem: CinePro
Assistente de fotografia e som: Bernard MachadoAssistente
de produção: Diogo LisboaFinalização de Imagem: CineProAssessoria
Jurídica e contábil: Diana GebrimProjeto gráfico: Três design e Fred
Paulino
Site: três design
Distribuição Nacional: Vitrine FilmesDistribuição internacional/World
Sales: FiGa Films
* * *
A exibição transcorreu sem maiores incidentes, todavia o debate quase chega às vias de fato, com gente saindo pisando duro sem mais aquela, enquanto outros, sobe o álibi "gente, estou passado", enganchou vários golpes de esquerda, jabs e outros lances do bom, velho e saudável cineclubismo. A pancadaria verbal prosseguiu bares abaixo na baixa Augusta que, afinal de contas, foi feita para tanto ou mais.
* * *
Nas duas próximas sextas feiras , 22 de fevereiro e 1o. de março, serão realizadas SESSÕES-SURPRESA. Cada um leva um DVD em bom estado de um filme que deseja ver. Na ora, no calor da discussão, será escolhido o filme a ser exibido. A escolha será ou por sorteio, ou por voto, pela força bruta ou por força das circunstâncias.
SEMPRE NO MESMO ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA, SALA DE CURSO, ÀS 19,30 H.
Não há como negar: Meow, Animação de Marcos
Magalhães, é um marco na história do cinema de Animação Brasileiro.
A história do gatinho que se rende ao charme da publicidade
para deixar de tomar leite é um ponto de referência para muitos animadores,
animaníacos, professores e fãs do cinema. Tanto é que, em 1982 ganhou o prêmio
especial do Juri no Festival internacional do Cinema
de Cannes. Um dos mais aclamados festivais de cinema do
mundo.
O curta de animação “Meow”, de Marcos Magalhães, produzido
em 1981, me fez lembrar duas referências, uma histórica e outra cultural: a
primeira sendo o boicote aos produtos britânicos em protesto empreendido por
Mahatma Gandhi em defesa do uso entre os seus conterrâneos de vestimentas a
base de algodão, o que contrariava os interesses da crescente e poderosa
indústria têxtil inglesa que dominava seu país, a Índia; O outro, subsídio
cultural surgido depois do lançamento desse curta de Magalhães, é a música dos
Titãs, “Comida”, na qual em algumas estrofes vemos as seguintes frases... “Você
tem fome de que? Você tem sede de que?”.
E qual é a relação entre a animação “Meow” e essas duas
referências tiradas do baú por mim? Em primeiro lugar é importante destacar que
a obra de Marcos Magalhães parece, a princípio, datada, ou seja, fruto de uma
época. Não é. Logicamente essa produção espelha idéias que naquele início de
década de 1980 estavam em voga, motivadas em particular pela batalha ideológica
que se travava entre capitalistas e socialistas, aliados dos Estados Unidos e
simpatizantes da União Soviética.
Mas não creio que esse documento audiovisual seja datado.
Penso que há ainda bastante atualidade em suas idéias, em especial no que se
refere à crítica evidente em relação à aculturação de países mais pobres,
subdesenvolvidos ou em crescimento, com a substituição dos valores de suas culturas
originais pelos estandartes dos países dominantes, situação essa que hoje em
dia ainda persiste e que é identificada como conseqüência, sem
contra-indicações, da globalização.
Outro aspecto que salta aos olhos e que pode ser utilizado
como elemento de reflexão e debate é a substituição do leite pela “soda”
(refrigerante) como alimento do personagem principal, o gato. Devendo-se também
adicionar a essa reflexão o fato do gato miar em língua estrangeira... Os sons
por ele emitidos não são escritos no tradicional “miau” da língua portuguesa e
sim, no modelo identificado a partir do idioma de Shakespeare, o inglês,
estando grafado como “meow”, inclusive no título...
A comparação com Gandhi e com a música “Comida”, dos Titãs,
caminha, portanto, nessa trilha, ou seja, a da imposição evidente de valores,
práticas, produtos, ações e até mesmo de uma linguagem estrangeirizada, um
tanto quanto alienígena aos princípios e bases das civilizações que recebem
essas influências e que, mobilizadas pela força do capital, da mídia, dos
interesses políticos e do poder das corporações, pouco ou nada pode fazer para
resistir...
Por João Luís de Almeida Machado, que viveu os anos da
guerra ideológica entre EUA e URSS e percebe que os resquícios daquela época
ainda estão por aqui...
NESTA SEXTA, 30 DE NOVEMBRO, SESSÃO ESPECIAL NO CINECLUBE BAIXA AUGUSTA
Jonas Qui
Aura 25 Ans en l'an 2000 - França - 1976
Direção:
Alain Tanner
Elenco:
Jean-Luc Bideau, Rufus, Miou-Miou, Jacques Denis, Dominique Labourier.
SINOPSE 1
Há oito
personagens principais em Jonas, todos na casa dos vinte ou trinta anos, e
todos buscando soluções para os problemas trazidos para a consciência geral
pelos eventos de 1968. Nenhum deles é um burguês confortável, eles são o tipo
de fantasistas e obsessivos que eram considerados marginais antes de 1968 ...
Cada um dos oito personagens é uma utopia de algum tipo, exceto para o antigo
ativista desiludido, Max...
O filme
segue a vida de um grupo de 8 pessoas, na sequência da agitação social e
política de maio de 1968 na França, incluindo um professor de história, um
sindicalista e um boêmio.
Importância
Histórica: O diretor Alain Tanner é um dos fundadores do “Groupe Cinque”, que
reuniu jovens cineastas suíços no início dos anos 60, influenciados pela
NOUVELLE VAGUE. Realizador de vários filmes consagrados pela crítica, em 1976
ele realizou “Jonas” revelando a expectativa de uma geração desiludida com o
seu passado e que não sabia o que esperar de um novo século que se aproximava.
Política, questionamentos e muitas dúvidas são os elementos básicos dos oito
personagens deste filme que foi exibido em Belém no final dos anos 70 e foi
eleito um dos melhores do ano que foi exibido.
23 DE NOVEMBRO - SEXTA-FEIRA - 19 horas - Incluindo O VELHO E O MAR:
Adaptado do romance de Ernest Hemingway, é um curta de 22 minutes, lançado em 1999 por Alexandre Petrov. Além deste, teremos outras animações russas.
"Eu já havia lido o livro há bastante tempo, e fiquei apaixonado pela
obra. Decidi que um dia iria fazer o filme", contou o diretor Petrov. A
produção não usa computação gráfica e levou dois anos, mais um ano de montagem.
A técnica é impressionante e impressionista. Cada quadro do filme é uma obra de
arte pintada a base de tinta siliconada sobre vidro. As mudanças para os
quadros seguintes são repintadas no próprio vidro ou numa outra camada,
detalhadamente. Os fadings, por exemplo, foram realizados pela maior ou menor
exposição dessas telas vitrais à luz. As camadas sobrepostas na mesa de luz
geraram imagens que foram fixadas em película de 70 mm, muito maior que as de
35 mm ou 16 mm, geralmente usadas para cinema, resultando num visual dos
movimentos e cenários muito mais luminosos e impactantes (nos EUA, o filme foi
projetado em cinemas de telas especiais, para garantir o impacto da técnica
integralmente, o que não ocorrerá no Brasil). A pena é que cada uma dessas
majestosas cenas teve vida efêmera – sobreviveu somente para compôr as cenas e
nada mais. A montagem e dublagem foi feita em 1998 e, no ano seguinte, no
centenário do escritor americano, Petrov presenteou o mundo com sua obra.
Segundo ele, o mais difícil na produção não foi de fato a
arte. "Eu não queria sair do que o autor escreveu, mas queria, ao mesmo
tempo, colocar algo da minha linguagem no roteiro. Essa foi a maior tarefa:
adaptar a história do livro para o filme", disse o diretor. Desse modo, há
no filme, assim como no livro, o prelúdio do Velho conversando com o garoto
Santiago sobre sua derrocada depois de idoso. E a história é conduzida pelas
elocubrações do Velho em alto mar e seu "diálogo" com o peixe
resistente, acompanhada pelos seus encantos visuais, seus sonhos, e suas recordações
da juventude.
John Sturges, que dirigiu Spencer Tracy como o Velho em 1958
na primeira adaptação do clássico para o cinema, e a produção televisiva que
contou com Anthony Quinn como protagonista em 1990, não conseguiram dar tamanho
lirismo ao trabalho do escritor americano. Nada se compara e, ainda que a
tecnologia cinematográfica avance a cada ano, parece pouco provável que alguém
consiga realizar o que Petrov realizou.
“L’Illusionniste” é o novo filme de animação do conceituado
realizador francês Sylvain Chomet, que ganhou fama e prestigio com “Les
triplettes de Belleville” (2003). “O Mágico” é uma homenagem às antigas
formas de entretenimento, os ilusionistas, os ventríloquos, trapezistas e
palhaços, mas é mais do que isso, é uma homenagem ao cinema mudo e ao
mestre Jacques Tati.
Baseado num argumento originalmente escrito por Tati, em 1956, em
dedicação a uma filha ilegítima que teve e que nunca chegou a ser realizado.
Sylvain Chomet adapta esta história para a animação, pois de outra maneira não
seria possível realizar este argumento. A história é passada na década de 50
numa altura em que a cultura pop começa a substituir as outras formas de
entretenimento. Tatischeff (nome de nascença de Tati) é um ilusionista que
percorre o mundo realizando espetáculos de magia em várias salas de teatro e
Music Halls. A sua carreira está em vias de extinção, pois o mundo está em
constante evolução e o público esquece-se desta arte, que é a magia. Tatischeff
vê-se obrigado a apresentar o seu espetáculo num “pub”, na costa ocidental
escocesa. Aí conhece Alice, uma jovem rapariga muito inocente, que fica
imediatamente encantada com o mágico. A rapariga segue-o e passa a viver com
ele como se fosse sua filha. A partir daqui, a vida de Tatischeff mudará para
sempre.
A personagem Alice é de uma rapariga inocente que acredita na magia de
Tatischeff. Ingenuamente, Alice pensa que pode ter tudo na vida com um simples
truque de magia. Mas, infelizmente não é assim e ela acaba por perceber isso.
Um palhaço abatido prestes a suicidar-se, um ventríloquo que vende o seu boneco
e um trio de trapezistas que se “vendem” ao mundo da publicidade, são a imagem
de um mundo em mudança que representam as velhas artes caídas no esquecimento.
A narrativa parece muito simples, mas pelo contrário é bastante
complexa. É uma história com muitas características biográficas de Tati, o que
faz com que este esteja sempre presente em todo o filme, em espírito, claro
está. A própria personagem do ilusionista é a figura de Tati, a maneira como
anda, como reage aos imprevistos, todos os tiques de Tati estão lá. E para que
não restem dúvidas, o realizador Chomet oferece-nos uma bela surpresa, com a
cena em que o ilusionista entra num cinema e depara-se com um filme de imagem
real, protagonizado pelo próprio Tati (o filme “O Meu Tio”). O público sai
da sala com a sensação de ter visto um novo filme de Jacques Tati, porque de
facto, durante os oitenta minutos de duração do filme, Tati esteve sempre
presente. E não é por acaso que foi Chomet a realizar este argumento, pois
Chomet é um descendente de Tati, como se viu no primeiro filme “Les
triplettes de Belleville”. O estilo de Chomet é um estilo muito pausado, com
diálogos quase inexistentes, dando valor ás imagens e à ação, com muita mímica.
Como se pode ver, quem conhece os filmes de Jacques Tati, sabe que tem o mesmo
estilo de um cinema mudo.
O ilusionista é um filme que impressiona e fascina pelo seu
visual. O desenho de Chomet é magnifico, com um traço clássico do desenho á
mão. A nível técnico, Chomet, conseguiu misturar muito bem o digital com o
desenho à mão. Todo o brilho, as cores e as belas paisagens, remetem-nos para
aquela época. A banda sonora composta por Chomet é belíssima.
Chomet criou um filme mágico e dramático. É um filme que nos faz rir e
chorar, com um final surpreendente. “O Ilusionista” é a prova de que
o cinema de animação tradicional ainda está vivo e que não precisa do 3D para
nada. Um dos melhores filmes do ano e um dos melhores filmes de animação de
sempre. Um filme genial, adulto, subtil e belíssimo!
Persépolis foi inspirado no romance gráfico (HQ) autobiográfico homônimo da autora iraniana Marjane Satrapi. O filme foi dirigido pela autora em colaboração com o cartunista francês Vincent Paronnaud.
“Marji” é a filha de oito anos de uma família iraniana de esquerda. Família culta, moderna e ocidentalizada, faz com que desde pequena Marji participe de todas as verdades sobre sua família e seu país, como quando o pai da garotinha lhe explica a realidade do governo do Xá, pois ela não entendia a revolta das pessoas, já que aprendera na escola que os xás foram “escolhidos por Deus”. Através da narrativa pessoal de Marji veremos a história, os costumes, as relações familiares e sociais no Irã no período de 1978 até os anos 90.
Durante este período a história do Irã muda radicalmente e isso vem a interferir profundamente na vida dos iranianos e ainda mais na vida de nossa sensível protagonista. Desde os anos 40 o país é governando pela dinastia do Xá Reza Pahlavi (imperador), que tem apoio (e controle) dos EUA, por questões “petrolíficas”. A população descontente com tal situação ajuda que se propicie a Revolução Islãmica. Acontece a deposição do Xá e a posse do aiatolá Ruhollah Khomeini (chefe religioso). Antes o Irã era uma monarquia alinhada ao Ocidente, mas depois, sem a total consciência por todos disto, o país vem a se tornar uma brutal ditadura fundamentalista islâmica. Esse governo começou a controlar a vida de todos, no famoso e cruel estilo de governo que alia indissociavelmente política e religião. As mulheres são obrigadas a usarem a burca e impedidas de namorarem e qualquer vestígio de ocidente era banido e considerado como imoral.
Marji vai descobrindo isto na vivência e nas conversas que há em sua casa, com a visita de pessoas como seu tio Annouche, um ex-preso político. A insegurança, o medo, o terror, pioram com a deflagração da guerra entre Irã e Iraque.
A partir daí, então, que ela começa a viver os traumas da guerra, o autoritarismo do regime, tomando conhecimento das práticas de tortura, vendo a supressão da liberdade individual na educação na escola e no militarismo nas ruas. Assim, seus pais decidem então enviá-la para terminar seus estudos na Áustria. Ela vai para o país com um valioso conselho de sua admirável e feminista avó. Lá tem liberdade plena de ser e dizer que o pensa, faz amigos, descobre os bons e ruins do amor, erra e acerta. Depois de algum tempo, passado altos e baixos em sua estada na cultura ocidental de estado laico, num período cheio de descobertas e intensa vivencia, ela se sente uma alienada, exilada e retorna ao seu país e à sua família. De volta, ela e sua família vivem neste regime enganando as autoridades com coisas proibidas que lhes fizessem mais felizes, como festas e bebidas alcoólicas.
As partes do filme em cores remetem ao presente, enquanto em preto em branco remetem ao passado, pois o principal faz parte do passado. O filme começa e encerra-se com Marjane em cores, já adulta, num aeroporto da França, com os olhos em Teerã, sua capital natal. Porém não consegue retornar, e volta de taxi, na eterna busca de uma vida melhor, mesmo tendo a nostalgia de sua infância com seus pais. Apesar de todo este conteúdo disfórico, com guerra, repressão, decepções, Marji dirige a narrativa com bastante humor ou até uma ironia risonha, que nos faz conhecer toda a história sem ser chata, acadêmica ou formal. Como se pode ver, Persépolis trata de muitos temas. De tradições, educação, família, idealismos, choque de culturas, crescimento pessoal, liberdade, autoritarismo, repressão, política, religião, costumes, amores, ilusões e desilusões, heroísmo, revolução, raízes, comprometimento, lealdade, etc, mas, sobretudo dos absurdos praticados pela humanidade contra ela mesma, Persépolis nos demonstra a valorização da família, a busca da identidade própria e a necessidade de se buscar uma vida melhor. Tudo isso num realismo que só uma animação como essa poderia demonstrar.