quarta-feira, 20 de março de 2013

TARANTINO: Debate Baixa Augusta


Tarantino inicia nosso ciclo de debates

PROGRAMAÇÃO DE DEBATES - BAIXA AUGUSTA – 1º. SEMESTRE - 2013
Data
Assunto
Leitura
22/03
Tarantino
Filmografia sua e de sua geração
26/04
Nelson Pereira dos Santos
O cinema brasileiro até Vidas Secas
24/05
Fellini
O cinema italiano até o neorrealismo
21/06
Leon Hirszman
O cinema brasileiro até a década de 1980
26/07
Fritz Lang
O cinema alemão ontem e hoje
LOCAL
Bar ESPETÃO
R. Frei Caneca, 1395 – Perto da av. Paulista.
HORÁRIO
20 HORAS
Sempre às sextas-feiras

Tarantino nasceu no Tennessee. Seus pais eram Tony Tarantino, ator e músico descendente de italianos, e Connie McHugh, descendente de irlandeses e índiosCherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino mais tarde viria a formar fortes laços afetivos.

Tarantino iniciou seus estudos na região de San Gabriel Valley, em 1968. Em 1971 sua família mudou-se para El Segundo, ao sul de Los Angeles, onde passou a freqüentar a Hawthorne Christian School. Ao sair da Narbonne High School, emHarbor CityCalifórnia, aos 16 anos, iniciou os estudos em atuação na James Best Theatre Company.

Aos 22 anos escreveu seu primeiro roteiro, Captain Peachfuzz and the Anchovy Bandit. Em 1984 Tarantino começou a trabalhar como balconista na Video Archives, uma famosa locadora de filmes em Manhattan Beach; lá se tornou amigo de Roger Avary, um colega de trabalho com quem mais tarde viria a colaborar em Pulp Fiction. Ele continuou seus estudos em atuação na Allen Garfield's Actors' Shelter, em Beverly Hills, mas passou a se dedicar principalmente a escrever roteiros.
Seus primeiros roteiros vendidos, True Romance (br: Amor à Queima Roupa) e Natural Born Killers (br: Assassinos por Natureza), tiraram-lhe do anonimato. Ele conheceu Lawrence Bender numa festa em Hollywood, e Bender incentivou Tarantino a dirigir um filme. O produto final dessa conversa foi Reservoir Dogs (br:Cães de Aluguel), de 1992, um filme estiloso e violento, que definiu o tom de seus filmes seguintes. O script foi lido pelo diretor Monte Hell-man, que ajudou a levantar fundos junto à Live Entertainment, bem como garantir o lugar de Tarantino na direção do filme. Harvey Keitel ouviu falar do roteiro através de sua esposa, que foi colega de Lawrence Bender. Ele leu o roteiro e também contribuiu com investimentos, assumiu o papel de produtor executivo, e um personagem no filme.

Seguindo o sucesso de Reservoir Dogs, Tarantino foi abordado por Hollywood e recebeu propostas para dirigir vários projetos, incluindo Speed (br: Velocidade Máxima) e Men in Black (br: Homens de Preto). Em vez disso, ele se recolheu em Amsterdã para trabalhar em seu roteiro para Pulp Fiction. Quando foi finalmente lançado, o filme ganhou a Palme d'Or (Palma de Ouro) no Festival de Cannes de 1994 e, junto com Sex, Lies, and Videotape (br: Sexo, Mentiras e Videotape), de Steven Soderbergh e Roger and Me (br: Roger e Eu), de Michael Moore, revolucionou a indústria de filmes independentes, mostrando que estes filmes também são rentáveis. Pulp Fiction é um filme de roteiro complexo, com personagens verborrágicos, tendo a história dividida em atos e recheado de referências pop. Essas três características se tornaram a marca do criador desde então. O filme ficou conhecido pelas aclamadas atuações de seu elenco e, ainda, por ressuscitar a carreira de John Travolta. Pulp Fiction também rendeu a Tarantino e Avary o Oscar de melhor roteiro original, além da indicação na categoria de melhor filme.

Depois de Pulp Fiction, Tarantino dirigiu o quarto episódio da série Four Rooms, The Man from Hollywood, um remake de um espisódio de Alfred Hitchcock Presents estrelado porSteve McQueen. Four Rooms é uma colaboração entre Allison AndersAlexandre RockwellRobert Rodriguez e o próprio Tarantino.

Quentin Tarantino e George Clooney são os irmãos Gecko em From Dusk Till Dawn (1996).
O filme seguinte de Tarantino foi Jackie Brown (1997), uma adaptação de Rum Punch, um romance de seu mentor Elmore Leonard. Uma homenagem ao gênero blaxploitation, foi estrelado por Pam Grier, que trabalhou em diversos filmes do gênero nos anos 70. Tarantino decidiu, então, produzir o filme Inglorious Basterds. No entanto, ele adiou o projeto para escrever e dirigir Kill Bill, lançado em duas partes, Vol. 1 e Vol. 2, um filme estiloso, com temática de vingança, filmado com a influência do Wuxia (filmes chineses de artes marciais), filmes japonesesfilmes de faroeste e filmes de terror italianos ou giallo. O filme é baseado numa personagem chamada A Noiva, que Tarantino criou conjuntamente com a atriz principal deste filme, Uma Thurman, durante as filmagens de Pulp Fiction.

Em 2004 Tarantino voltou a Cannes no papel de presidente do júri. Kill Bill não estava concorrendo, mas foi exibido na noite de encerramento, na sua versão original, com mais de três horas de duração. Enquanto desempenhava a função de presidente, a Palme d'Or foi para o filme Fahrenheit 911, de Michael Moore, desconsiderando a insistência de Tarantino em que o prêmio deveria ir para o filme Oldboy.

Tarantino foi creditado como "diretor convidado especial" por dirigir a seqüência do carro entreClive Owen e Benicio Del Toro do sucesso neo-noir Sin City. Em 24 de fevereiro de 2005 foi anunciado que Tarantino dirigiria o episódio final da série CSI. O episódio de duas horas, Grave Danger, foi ao ar em 19 de maio, com audiência recorde e sucesso nas críticas. Apesar de Tarantino ser mais conhecido por seu trabalho atrás das câmeras, ele também apareceu na primeira e na terceira temporadas da série de televisão Alias.
Em 2005 anunciou que seu projeto chamava-se Grind House e que estaria co-dirigindo com Robert Rodriguez. Mais tarde também anunciou que além de Kill Bill 3 "provavelmente" daria continuidade a Inglorious Bastards depois deste projeto, mas que precisaria de cerca de um ano trabalhando no roteiro antes de filmar. Enquanto isso, passou a trabalhar em seu novo filme, Django Unchained, um faroeste que repetiu a parceria com Christoph Waltz. O lançamento nos Estados Unidos foi em 25 de dezembro de 2012, no Brasil foi lançado dia 18 de janeiro de 2013.

Entre seus recentes créditos como produtor, estão o filme de terror Hostel (br: O Albergue), que inclui referências a Pulp Fiction; a adaptação de Killshot, de Elmore Leonard; e Hell Ride escrito e dirigido pela estrela de Kill Bill, Larry Bishop. Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes, incluindo Tim Roth (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Four Rooms), Harvey Keitel (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn), Uma Thurman (Pulp Fiction, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2),Michael Madsen (Reservoir Dogs, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2, Sin City), Steve Buscemi (Reservoir Dogs, Pulp Fiction), Bruce Willis(Pulp Fiction, Four Rooms, Sin City, Grindhouse) e Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill Vol. 2, Django Unchained).

Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesaJulie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua "musa". Entretanto, Tarantino nunca se casou e não tem filhos.

Quase dois anos após o lançamento de Inglorious Basterds no cinema Tarantino confirmou a gravação de seu novo filme, Django Unchained, um western no qual um ex-escravotorna-se um perigoso mercenário, com Jamie Foxx no papel principal. As gravações se iniciaram no estado da Louisiana, e a obra tem data de lançamento prevista para o início de 2013.[1]
Tarantino figura na lista de "Special thanks" do encarte do disco In Utero do Nirvana, lançado em 1993 (curiosamente o nome do diretor aparece como "Tarentino, Quentin"). Segundo o site Filmdrunk, a razão de o diretor aparecer nessa lista deve-se ao fato de ele ter querido inicialmente que Kurt Cobain atuasse em Pulp Fiction no papel de Eric Stoltz[2].

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quentin_Tarantino.

CICLO DE DEBATES BAIXA AUGUSTA



PROGRAMAÇÃO DE DEBATES - BAIXA AUGUSTA – 1º. SEMESTRE - 2013
DATA
ASSUNTO
ESTUDO
22/03
Tarantino
Filmografia sua e de sua geração
26/04
Nelson Pereira dos Santos
O cinema brasileiro até Vidas Secas
24/05
Fellini
O cinema italiano até o neorrealismo
21/06
Leon Hirszman
O cinema brasileiro até a década de 1980
26/07
Fritz Lang
O cinema alemão ontem e hoje
LOCAL
Bar ESPETÃO
R. Frei Caneca, 1395 – Perto da av. Paulista.
HORÁRIO
20 HORAS
Sempre às sextas-feiras

A ideia é durante o mês assistirmos aos filmes e estudarmos o diretor em destaque, suas obras mais significativas e sua geração de cineastas, de maneira a compor um bom painel autoral e de época, em que cinema, história e política sejam articulados de maneira produtiva.

Em razão de a sala do Espaço Itaú estar em reforma, realizaremos um ciclo de debates a partir de filmografias de diretores.

Nos seus primórdios, a atividade cineclubista era também assim realizada: grupos de amigos iam junto a uma sessão e depois compartilhavam a discussão onde era possível: cafés, livrarias, residências particulares etc.

Vou postar no blog o texto do Marcos sobre o Pasqualino Sete Belezas, depois, algo sobre o Tarantino, a bola da vez, para irmos discutindo antes do dia 22/03, quando iniciamos uma nova-antiga prática cineclusbista.

O ciclo se inicia com O INDEFECTÍVEL TARANTINO.

Viva o novo cineclubismo, de volta às origens!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Paqualino Sete Belezas


Texto do prof. Marcos Silva, titular da História USP, a partir de sessão de 1o. de março do Cineclube Baixa Augusta.


Revi ontem o filme “Pasqualino sete belezas” (1975), de Lina Wertmüller, com Giancarlo Giannini. A onipresença do ator marca muito o filme. Há uma espécie de paródia crítica do latin lover, ao mesmo tempo em que o filme explora a profunda tensão entre expectativa de riso e medonha tragédia em andamento. Cenas patéticas reforçam a dor em cena.

A narrativa se dá numa Itália em guerra, sob o Fascismo. Pasqualino se pensa alheio à política, confessa admirar Mussolini, repete os chavões de propaganda fascista – controle sobre greves e desordens. Enquanto isso, o personagem se esmera em fazer o que esperam que ele faça, com uma imensa incapacidade para dizer não ao que dominam. Obedece ao chefão meio mafioso (vingar a honra da família, atingida pela irmã que se prostitui), obedece ao advogado que prostitui a irmã, obedece à médica no hospício, obedece à sádica comandante no campo de concentração.

O horror contra a prostituição da irmã tem por contrapartidas copular com uma louca totalmente amarrada numa cama do hospício e, por fim, prostituir-se para a comandante nazista que o despreza e trata sua ereção como mera demonstração em prol de sobrevivência.

Wertmüller opta por uma estética naturalista  de mostrar os piores horrores (interno do hospício emasculado, cadáveres aos montes no campo de concentração), embora aproxime-se do heroísmo romântico através do amigo de Pasqualino que pede para ser morto por ele diante de prisioneiros e carcereiros nazistas, bem como do velho anarquista que opta por se lançar numa medonha latrina à espera dos tiros que terminariam de matá-lo.

A diretora dialoga com a memória naturalista do Fascismo construída, dentre outros, por Curzio Malaparte (A pele), com a destruição de vestígios de humanidade operada pela guerra, incluindo a vasta prostituição que marca a presença norte-americana pós-Fascismo.

Pasqulino faz o que os outros esperam dele e, nisso, vai se destruindo passo a passo. Os planos finais do filme, com a imagem daquele homem partida num espelho do pós-guerra, mais a constatação de que está vivo, sugere uma possibilidade de mudança sem perder o conformismo: casar com a menina prostituída que um dia amou, não mais obedecer aos outros mas evocar o diagnóstico de um daqueles mártires românticos (o velho anarquista, que previa um mundo superpovoado, onde as pessoas se matariam por um pão ou uma maçã), esperar pela próxima catástrofe com alguma arma – a prole numerosa pretendida.

A herança de Pasqualino é uma infinita tristeza diante daquele passado narrado (o nazi-fascismo da destruição em escala industrial) mas também daquele presente em que o filme nasceu (ditaduras pelo mundo todo, um suposto socialismo sufocante, o nazi-fascismo em novas roupagens). Se houver alguma esperança é a desobediência pois a ordem destrutiva continua.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

SEGUNDA SESSÃO SURPRESA, PERO NO MUCHO

A primeira sessão surpresa do Baixa Augusta foi o duvidoso Rrrrr - Na idade da pedra. Isso porque só dois abnegados levaram filmes.

Rrrrr - NA IDADE DA PEDRA


35.000 A.C., em plena pré-história. A tribo dos Cabelos Limpos passa os dias de forma tranquila, guardando para si a fórmula secreta do xampu, enquanto que a tribo dos Cabelos Sujos passa o dia a se coçar e queixar. Até que um dia ocorre na tribo dos Cabelos Limpos o 1º crime da história da humanidade: a morte de uma mulher. Intrigados nos motivos que fariam alguém matar uma pessoa que morreria de qualquer forma, os integrantes da tribo tentam descobrir quem foi o autor do crime.

Dirigido por Alain Chabat
Gênero Comédia


Assim o duvidoso ficou para a primeira sessão, enquanto o SEM DÚVIDAS NENHUMA ficou para a sessão de 1o. de março, 19h30, quando também programaremos o semestre. A seguir, o filme que não causou nenhuma dúvida, pois todos menos um tinham assistido há tempos.

PASQUALINO SETE BELEZAS


Durante a segunda Guerra Mundial, Pasqualino Frafuso (Giancarlo Giannini), é um militar italiano desertor. Capturado pelos alemães ele é enviando para um campo de concentração, onde faz de tudo para tentar sobreviver. Em "flashbacks", ele lembra de suas sete irmãs (as sete belezas) e como cometeu um assassinato do amante de uma irmã. Lembra também de sua confissão e de sua prisão, sua calculada troca para um asilo e como decidiu voluntariamente ser um soldado para escapar da prisão. Pasqualino tem um caráter fraco e covarde, mas isso não impede de sobreviver na guerra e voltar a Nápoles, onde ele tem um plano para manter-se vivo até a próxima catástrofe mundial.

Título Original: Pasqualino Settebelezze
Tempo: 112
Cor: Colorido
Ano de Lançamento: 2010
Elenco: GIANCARLO GIANNINI & SHIRLEY STOLER & FERNANDO REY & ELENA FIORE
Direção: LINA WERTMULLER
Recomendação: 16 anos
Região do DVD: Multi-Região
Legendas: Português
Idiomas / Sistema de som:
Italiano -
Formato de tela: FullScreen
País de Orígem: Itália
1o. de março 
19h30

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

PRIMEIRA SESSÃO SURPRESA!


É HOJE!
22 DE FEVEREIRO DE 2013
19h30

Hoje, nossa primeira sessão surpresa! Traga seu DVD de um filme que você considera incrível, espetacular, extraordinário e corra o risco de vê-lo aprovado para todo mundo assistir e, eventualmente, elogiar seu extremo bom gosto em termos de sétima arte e otras cositas más.

Até o presente momento, ninguém se dispôs a revelar o que pretende apresentar como candidato à exibição na sessão de hoje, o que demonstra o espírito disciplinado dos rodamundos que aportam no cineclube Baixa Augusta de tempos em tempos com o propósito de assistir, discutir e às vezes se engalfinhar em defesa de diretores, atores, roteiristas, fotógrafos, sonoplastas etc., na esperança de que o cinema do mundo não se afunde na lama do fast food e do hambúrguer cultural.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O céu sobre os ombros

Retomamos nossas atividades neste dia 15 de fevereiro, com o filme
 O céu sobre os ombros
www.oceusobreosombros.com
O filme conta a história de três pessoas anônimas, comuns. São histórias inventadas pela vida, pelos personagens, pelo filme, de pessoas que vivem num contexto entre o cotidiano, o exótico e a marginalidade. O filme é um gesto para revelar o quanto somos todos tão humanos, e quão semelhantes são nossos medos e desejos.

A narrativa acompanha alguns dias da vida de três personagens: Everlyn é uma transexual que fez mestrado sobre os diários de um hermafrodita do século XIX e vive entre a prostituição e os cursos de sexualidade que ministra como professora. Murari é um devoto da religião Hare Krishna e do time de futebol do Atlético Mineiro, líder de torcida organizada. Lwei é africano descendente de portugueses e escreve vários livros ao mesmo tempo, sem nunca ter chegado à conclusão de nenhum. Nunca trabalhou.

Apesar de não se conhecerem, vivem na mesma cidade, se relacionam com a escrita, tem cerca de 30 anos e famílias distantes. Eles não se encontram no filme, mas constantemente seus desejos e seus medos se cruzam, se interpenetram e criam uma rede de perguntas e respostas, de posicionamentos distintos e afins.

FICHA TÉCNICA
O Céu Sobre os Ombros
71min | 35mm | cor | 2010
Direção: Sérgio Borges
Elenco: Everlyn Barbin, Edjucu Moio, Murari Krishna e Grace Passô
Produzido por: Helvécio Marins Jr., Sérgio Borges , Luana Melgaço e Felipe Duarte
Produtora Associada: Primo Filmes
Produção Executiva: Luana Melgaço
Direção: Sérgio Borges
Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Montagem: Ricardo Pretti
Roteiro: Manuela Dias e Sérgio Borges
Parceria Artística: Clarissa Campolina
Pesquisa de personagens: Izadora Fernandes
Direção de Produção: Mariana Freitas
Som direto: Bruno Vasconcelos
Edição de som: Gustavo Fioravante
Mixagem de som: Ronaldo Gino
Assistente de direção: Aline X
Finalização de Imagem: CinePro
Assistente de fotografia e som: Bernard MachadoAssistente de produção: Diogo LisboaFinalização de Imagem: CineProAssessoria Jurídica e contábil: Diana GebrimProjeto gráfico: Três design e Fred Paulino
Site: três design
Distribuição Nacional: Vitrine FilmesDistribuição internacional/World Sales: FiGa Films


*     *     *
A exibição transcorreu sem maiores incidentes, todavia o debate quase chega às vias de fato, com gente saindo pisando duro sem mais aquela, enquanto outros, sobe o álibi "gente, estou passado", enganchou vários golpes de esquerda, jabs e outros lances do bom, velho e saudável cineclubismo. A pancadaria verbal prosseguiu bares abaixo na baixa Augusta que, afinal de contas, foi feita para tanto ou mais.

*     *     *
Nas duas próximas sextas feiras , 22 de fevereiro e 1o. de março, serão realizadas SESSÕES-SURPRESA. Cada um leva um DVD em bom estado de  um filme que deseja ver. Na ora, no calor da discussão, será escolhido o filme a ser exibido. A escolha será ou por sorteio, ou por voto, pela força bruta ou por força das circunstâncias.

SEMPRE NO MESMO ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA, SALA DE CURSO, ÀS 19,30 H.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Meow e outros curtas brasileiros


NESTA SEXTA
7 de dezembro
ÚLTIMA SESSÃO DO BAIXA AUGUSTA ESTE ANO
Não há como negar: Meow, Animação de Marcos Magalhães,  é um marco na história do cinema de Animação Brasileiro.

A história do gatinho que se rende ao charme da publicidade para deixar de tomar leite é um ponto de referência para muitos animadores, animaníacos, professores e fãs do cinema. Tanto é que, em 1982 ganhou o prêmio especial do Juri no Festival internacional do Cinema de Cannes. Um dos mais aclamados festivais de cinema do mundo.



O curta de animação “Meow”, de Marcos Magalhães, produzido em 1981, me fez lembrar duas referências, uma histórica e outra cultural: a primeira sendo o boicote aos produtos britânicos em protesto empreendido por Mahatma Gandhi em defesa do uso entre os seus conterrâneos de vestimentas a base de algodão, o que contrariava os interesses da crescente e poderosa indústria têxtil inglesa que dominava seu país, a Índia; O outro, subsídio cultural surgido depois do lançamento desse curta de Magalhães, é a música dos Titãs, “Comida”, na qual em algumas estrofes vemos as seguintes frases... “Você tem fome de que? Você tem sede de que?”.

E qual é a relação entre a animação “Meow” e essas duas referências tiradas do baú por mim? Em primeiro lugar é importante destacar que a obra de Marcos Magalhães parece, a princípio, datada, ou seja, fruto de uma época. Não é. Logicamente essa produção espelha idéias que naquele início de década de 1980 estavam em voga, motivadas em particular pela batalha ideológica que se travava entre capitalistas e socialistas, aliados dos Estados Unidos e simpatizantes da União Soviética.

Mas não creio que esse documento audiovisual seja datado. Penso que há ainda bastante atualidade em suas idéias, em especial no que se refere à crítica evidente em relação à aculturação de países mais pobres, subdesenvolvidos ou em crescimento, com a substituição dos valores de suas culturas originais pelos estandartes dos países dominantes, situação essa que hoje em dia ainda persiste e que é identificada como conseqüência, sem contra-indicações, da globalização.

Outro aspecto que salta aos olhos e que pode ser utilizado como elemento de reflexão e debate é a substituição do leite pela “soda” (refrigerante) como alimento do personagem principal, o gato. Devendo-se também adicionar a essa reflexão o fato do gato miar em língua estrangeira... Os sons por ele emitidos não são escritos no tradicional “miau” da língua portuguesa e sim, no modelo identificado a partir do idioma de Shakespeare, o inglês, estando grafado como “meow”, inclusive no título...

A comparação com Gandhi e com a música “Comida”, dos Titãs, caminha, portanto, nessa trilha, ou seja, a da imposição evidente de valores, práticas, produtos, ações e até mesmo de uma linguagem estrangeirizada, um tanto quanto alienígena aos princípios e bases das civilizações que recebem essas influências e que, mobilizadas pela força do capital, da mídia, dos interesses políticos e do poder das corporações, pouco ou nada pode fazer para resistir...

Por João Luís de Almeida Machado, que viveu os anos da guerra ideológica entre EUA e URSS e percebe que os resquícios daquela época ainda estão por aqui...